7- “Eles”
Antes de abrir meus olhos eu tentei ouvir todos os sons primeiro. Eu ouvia vozes, vozes que eu reconhecia, que eu amava, as vozes me tranqüilizaram e me fizeram abrir os olhos lentamente.
- Mãe!!! Mãe!!! Você Está ai? Dizia Jon.
- Mãe!!! Mãe!!! É você? Gritava Teri.
- Sophie você conseguiu! Ouvi Ema dizer.
- Querida, fale conosco, já estávamos tão aflitos! Agora o David.
- Sophie, eu já tinha te avisado antes que não suporto mais estas suas aventuras hospitalares. Eu te avisei que aquele MP4 ainda ia acabar te matando. Não matou, não desta vez!!! Mara reclamava.
- Ah Mãe, eu tentei te gritar, disse Teri, nós todos gritamos, mas você não ouviu, você não viu o ônibus vindo, ele avançou o sinal mãe, e você não tinha como ouvir as buzinas ou as vozes por causa do mp4 enfiado no ouvido e no último volume.
- Eu te avisei Sophie, eu falei, você não devia sair por ai com este trem ligado e tampando os dois ouvidos, eu disse que era para usar um só quando andasse na rua, dizia Mara.
- Mãe, disse Jon, eu fiquei desesperado, quando te olhei caída no chão, toda sua cabeça coberta de sangue, você parecia ter pintado os cabelos de vermelho! Foi horrível!
- A gente passou a semana aqui conversando com você, tentando te chamar de volta, acho que você enlouqueceu de vez, você citou alguns nomes de personagens de séries que você assiste, lembra? Ema me perguntou!
- É querida, não parece que vai adiantar brigar com você por causa do computador e da TV, nós tínhamos acabado de discutir este assunto, você me sai do restaurante e coloca os fones de ouvido, é atropelada por um ônibus e passa uma semana falando em personagens de séries? Me disse David.
Eu reconheci a voz dos meus filhos, de minha irmã Ema, do meu marido David e da minha irmã mais velha Mara.
Eram “Eles” que eu ouvia o tempo todo enquanto me recuperava de um “pequeno” acidente!
Eu não estava em coma, apesar de ter sofrido um traumatismo craniano e ter operado o cérebro por causa de um tal inchaço, e não ter mais um fio de cabelo na cabeça, eu estava me recuperando bem, o que complicou mesmo foi um medicamento utilizado nestes casos que provocou um efeito colateral inesperado, quase inédito, que deixou meu cérebro ligado em 220 volts. Tudo bem que eu tive uma parada cardíaca que me fez lembrar o choque que senti enquanto estava na praça e estava cheia de tubos e toda vez que colocavam mais medicamentos eu sentia meu sangue ferver e minha cabeça não parava de doer. Mas eu estava inteira, e depois de toda agitação dentro do quarto quando eu acordei, os médicos pediram para todos “Eles” saírem pois eu precisava descansar.
Na penumbra do quarto do hospital, sozinha, eu pude rir pela primeira das minhas alucinações, dos efeitos do medicamento em meu subconsciente. Enquanto eu alucinava com a vila e a sirene que tentava me chamar à realidade, eu vi vários de meus personagens preferidos de séries, livros e filmes, o médico que me atendeu, o Greg House, Ka-el, o nome Kriptoniano do Superman, meu salvador. As crianças de Harry Potter com casacos de lã brincando na praça, a Lexi do livro Lembra de mim, segurando um girassol, a Becky Bloom passando cheia de sacolas, o rapaz abatido, na verdade o meu vampiro preferido com sua musa de olhos de cor chocolate, Bella Swan, Nora, a mãe de Brothers and Sisters, Wilson, a bola do filme O Náufrago, Sam Tayler de Life on Mars com suas roupas dos anos 70. O Túmulo de Penélope e seu filho do livro Sombra do Vento, Daniel e Bea correndo juntos com ajuda de Julián Carax, do mesmo livro. E no quarto de correntes os personagens mais raivosos, Patty Hewes, Jack Bauer, O Iluminado Jack Nicholson, Ellen Parsons, Tony Almeida. Hilário! A fábrica de sonhos em forma de filmes, séries, livros. Que alucinação mais maluca! Só eu mesma para alucinar com meus personagens favoritos!
Eu comecei a dormir, mas sabia que não voltaria a Vila Paraíso, e mesmo que voltasse, agora eu saberia onde estava. Tentei me virar para ajeitar o corpo o melhor possível na cama de hospital, mas minha mão estava fechada tão apertada que estava doendo, pensei no tanto de agulhas que tinham me enfiado, talvez por isso minha mão estava tão rígida. Comecei a abrir a mão, lentamente, tentando relaxar também todo meu corpo quando ouvi o clic. Algo tinha caído e meus olhos alcançaram no chão uma pequena chave dourada que brilhava como se me convidando a usá-la.
Voltei para casa 10 dias depois e não queria fugir dali jamais, eu era muito feliz vivendo com “Eles” apesar de tudo.
Logo que pude ficar sozinha eu passava as tardes lendo, vendo filmes ou minhas séries preferidas e eles não podiam reclamar, já que não eu podia fazer mais que isso. Uma coisa que não entendi, foi porque não senti falta do computador enquanto estava na Vila Paraíso. Deslizei meus dedos pelas teclas sentindo o coração pulsar, abri a página inicial com ansiedade, digitei nervosamente, www.submarino.com.br e no local indicado para pesquisa meus dedos escreveram sem sentir: MP4, levei minha mão ao mouse e cliquei em comprar!
Fim

























4 comentários:
Passei pra conhecer seu blog,desejo-lhe otima semana
bjs
aguardo sua visita :D
Onde foi parar o meu halos?? sumiu? Ninguém viu?
<p><span>Muito legal isso! Um resumão? Deu vontade de ver. Parabéns!</span>
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</p><p><span>E por que vim aqui? Por que vou de blog em blog para conhecer mundos e quem sabe fazer amigos. Já fiz muitos.</span>
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</p><p><span>Jefhcardoso do </span><span>http://jefhcardoso.blogspot.com</span><span> </span></p>
<span> </span><span>Décio Ramírez Pirou!!!! Sua
caricatura, a do seu amigo, do seu vizinho, de quem você quiser
presentear, desenhada por ele, por apenas R$ 20, 00 cada ????
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<span>...</span><span> sã consciência!!!</span></span>
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