Parar de fumar é fácil!
Difícil mesmo é esquecer de que o cigarro existe.
Eu sei muito bem que não teria parado de fumar se não estivesse sob
poder de medicamento. Eu nem sei como o BUP consegue me segurar ao ponto de não
sentir vontade nenhuma de fumar, mas eu sei que sem medicamento eu seria capaz
de aprender a voar, mas não deixaria de fumar.
É só mais um na lista, uma bolinha a mais.
E tem uma coisa que eu acho uma delícia. Geralmente só acontece quando
eu estou deitada, mas posso estar sentada vendo TV, depende do meu grau de
entorpecimento, eu sinto como se uma energia elétrica estivesse caminhando
dentro de mim. É um vai e vem de uma força que me traz um pouco de satisfação,
quando não fico com medo de estar tendo um treco.
Oba acho que estou alucinando!
Um pouco sem paciência pra nada, verdade. Me canso mais facilmente das
pessoas com quem convivo diariamente e permito que o Monstro S/A que mora em
mim se mostre, abra a porta e saia pra rua da minha vida. Sim, porque ficar sem
fumar não te dá poderes, não te leva a loucura, não faz você ficar mais
agressivo. Não. Ficar sem fumar só libera os monstros que eram controlados
pelas drogas do cigarro.
Vai ficar tudo bem, eu acho, quando eu conseguir colocar os monstros pra
dentro de novo e controlá-los sem ajuda de medicamentos. Enquanto isso nós
vamos seguindo juntos, delirando e liberando pequenas doses de realidade. Perdi
a rota de fuga.
Quando eu percebo que poderia ser mais delicada e tolerante em algumas
situações, logo eu lembro que não, que eu sou assim mesmo.
Quando eu acho que eu poderia controlar mais a raiva eu me lembro que
sou assim, raivosa.
Quando eu penso que poderia lidar melhor em determinadas circunstâncias
eu lembro que eu lido assim, este é o meu jeito.
Eu só preciso de um pouco de controle, aquele que eu obtinha com o
cigarro, no que então eu percebo que eu estava sempre fumando, o que significa
que eu tenho muita coisa para controlar.
O pior ainda está por vir. Será?

























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