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Eu vou, mas...


Eu sei gentes que não tenho vindo muito aqui. Na verdade eu pensei em ir ali um pouquinho só e voltar logo, acabei ficando mais tempo do que esperava e ainda estou lá. Sei lá, estou sem fumar, ainda perdida, tentando achar sei lá o quê.
Até que fumar não é o problema. O problema é as loucuras que se vive quando se para de fumar. Tem horas que eu tenho certeza de que estou completamente dopada e adoro, me jogo na cama e vou curtir o barato de sentir um arrepio gostoso que me leva ao sono.
Não consigo chegar em casa como antes e ligar o computador. Eu preciso fazer outras coisas antes. Eu perdi a capacidade me concentrar e ler um livro, só recentemente eu comecei a conseguir ficar sentada, parada, concentrada na leitura.
Todos estes dias eu tenho vagado como um fantasma dentro do meu próprio pensamento.  Por isso não tenho escrito, não tenho vindo aqui e postado sobre a minha vida, porque ela continua acontecendo de um jeito ou de outro, bem ou mal, feliz ou triste.
No momento eu experimento sensações que nunca tive. Boca doce. Eu não sabia que minha boca era doce, pode ficar doce, eu nem sabia que sabor a pasta de dentes tinha.
Surpresas de quem parou de fumar, mas, porém, contudo, todavia eu não posso sequer dizer que é definitivo, não posso fazer promessas que não sei se conseguirei cumprir, mas enquanto isso eu vou por ai, sentindo, percebendo, assombrando o meu passado com as sensações inesperadas do presente, visando um futuro no mais agradável.
Eu vou, mas eu volto, sempre.

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